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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Criador do leilão da virgindade pode ser preso por tráfico de pessoas no Brasil

A brasileira Ingrid Migliorini, mais conhecida como “Catarina”, vendeu sua virgindade por mais de R$ 1,5 milhão, mas, se depender do subprocurador-geral da República João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho, ela pode ficar sem um tostão. Mello Filho quer que o diretor do documentário Virgins Wanted(Procura-se Virgens, em tradução livre), Justin Siseley, que patrocinou o leilão da virgindade da brasileira e vai produzir um filme sobre a história, responda pelo crime de tráfico de pessoas. Em entrevista, o subprocurador disse que ficou sabendo que o australiano Sisely, idealizador do projeto, está vindo para o Brasil com Catarina, e que tentará acionar o Ministério Público para que ele responda pelo crime. — Pretendo acionar o Ministério Público aqui [no Brasil], para que, se ele vier, ele responda [pelo crime]. Se o crime produziu efeitos no Brasil, e o efeito foi o aliciamento, a competência é da Justiça brasileira. O subprocurador enviou um e-mail para o Ministério das Relações Exteriores, na última sexta-feira (26), pedindo que o Brasil interceda junto ao Estado australiano para que o visto de Catarina seja retirado e ela seja deportada. “O crime já ocorreu” De acordo com o subprocurador, “não há dúvida” de que o leilão se trata de um crime. — Aliciar uma brasileira para se prostituir no exterior é crime, não há dúvida. [...] A prostituição em si não é crime. Ela faz do corpo dela o que ela quiser. [...] Não há a intenção de cercear a liberdade. [...] O problema é que um produtor de TV está ganhando dinheiro em cima disso. O subprocurador afirmou que, mesmo que o ato sexual ainda não tenha acontecido, o crime já ocorreu. — O simples aliciamento já é um crime: aliciar a mulher brasileira para cometer prostituição do exterior. [...] Nessa medida, o Brasil deve interceder junto às autoridades australianas. Ele ainda afirmou que o leilão de virgens “ocorria no circuito clandestino, em bordeis”, mas que “o problema maior agora é que isso foi feito abertamente”. — É uma zombaria de nossas leis, para todo mundo ver. Itamaraty não vê indícios de tráfico de pessoas A assessoria do Itamaraty confirmou o recebimento da comunicação do subprocurador, mas afirmou que não há indícios de que o caso se configure em tráfico de pessoas. — Aparentemente, a liberdade dela não foi cerceada. [...] Na nossa avaliação, ela é maior de idade e está ciente do que envolve esse contrato que ela assumiu com uma televisão. O Itamaraty ainda destacou que Catarina não teve o passaporte retido por alguém, nem procurou a assistência do consulado na Austrália. Sobre a possibilidade de o Brasil retirar o visto da jovem para que ela retorne ao País, o Itamaraty afirmou que isso não cabe ao Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty destacou, no entanto, que, caso receba qualquer comunicação oficial do Ministério Público, tomará as devidas providências. Fonte: R7 Share on facebookShare on orkutShare on twitterShare on emailMore Sharing Services
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