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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Prisões por assaltos e furtos a banco aumentam 62% em um ano

Quase duas toneladas de explosivos apreendidas, além de um vasto arsenal que inclui armas de grosso calibre e grande poder letal, como fuzis e metralhadoras. Além disso, um número recorde de 117 pessoas presas em flagrante ou por ordem judicial, todas acusadas de serem integrantes de quadrilhas envolvidas em delitos contra bancos.Bandos armados envolvidos nos ataques a bancos acabaram sendo desarticulados. Este é o balanço das autoridades policiais do Ceará no combate aos crimes de assaltos e furtos a estabelecimentos bancários, neste ano, no Estado. Em 2011, foram 72 prisões, o que, representa, para 2012, um aumento da ordem de 62,5 por cento no número de detenções. Quase toda a totalidade dos presos foi autuada em flagrante na Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), nesta Capital, depois de cercos policiais no Interior do Estado e na Grande Fortaleza. Outros nove suspeitos acabaram mortos em confronto com as forças de Segurança Pública após os roubos a bancos em cidades interioranas, como aconteceu, em Catarina, na região dos Inhamuns (398Km de Fortaleza), em fevereiro último. Quadrilhas Segundo o titular da DRF, delegado Romério Moreira de Almeida, mais de dez grupos criminosos foram desarticulados, neste ano, no Ceará. Se o número de ataques a bancos quase duplicou em comparação a 2011, o número crescente de prisões indica que os trabalhos de investigação e de cerco estão logrando êxito com base na inteligência e no posicionamento estratégico da Polícia, notadamente, no Interior do Estado. Almeida ressalta, ainda, que neste ano, foi registrado apenas um ataque a carro-forte, contra quatro casos em 2011. Um dos últimos grupos desarticulados pela Polícia foi o responsável pelo ataque à agência do Banco do Brasil da cidade de Palhano (150Km de Fortaleza), fato ocorrido no último dia 4. Era por volta de 16 horas, quando a cidade foi invadida pelos ladrões de banco pela segunda vez neste ano. O primeiro caso aconteceu no dia 6 de setembro. Em ambas as ocasiões, os ladrões utilizaram explosivos para dinamitar os caixas. Depois de explodir os caixas da agência e atirar contra o prédio do destacamento da PM, os assaltantes fugiram levando o dinheiro e também dois militares como reféns. Mas, ao chegar no lugarejo Cruz, no distrito de Pitombeiras, já no Município de Cascavel, a quadrilha se deparou com uma equipe do Comando Tático Rural (Cotar), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque). O saldo do embate entre bandidos e Polícia foi a morte de quatro assaltantes, além da apreensão de, pelo menos, oito armas de fogo que haviam sido usadas pelos ladrões no momento de sitiar Palhano. Situações semelhantes ao que aconteceu em Palhano (com explosivos detonados) foram registradas em outras 14 cidades do Interior cearense, Madalena (07/02), Banabuiú (01/03), Itatira (30/03), Pentecoste (10/04), Apuiarés (18/5), Tamboril (31/05), Almofala (28/07), Milhã (02/08), General Sampaio (31/08), Ibaretama (31/10), Umari (02/11), Salitre (06/12) e Miraíma (09/12), além de Fortaleza (03/09). Explosivos A constante ação dos criminosos com artefatos explosivos gerou uma preocupação não apenas para a Segurança Pública, mas também para o Exército Brasileiro, organismo responsável pela fiscalização e controle da venda, distribuição, utilização e estocagem deste tipo de produto. Diante das repetidas ações de explosões de bancos, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) montou uma operação sigilosa com a Décima Região Militar e o resultado foi apreensão de cerca de 800 quilos de explosivos que estavam em situações suspeitas ou irregulares. O trabalho foi alcançado pela atuação conjunta da DRF com a Polícia Militar e as coordenadorias de Inteligência (Coin) e de Operações Policiais (Copol), ambas da SSPDS. Quadrilhas são mescladas Quadrilhas interestaduais são as responsáveis pela maioria dos ataques contra bancos em cidades do Interior cearense. Conforme as investigações da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, através da sua Coordenadoria de Inteligência (Coin), bandidos cearenses junto com comparsas de Estados vizinhos se juntam para praticar os assaltos contra as agências nas cidades de pequeno porte. Nos municípios localizados próximos da divisa do Ceará com outros Estados, esses ataques são seguidos de fugas através de estradas que, na maioria das vezes, levam ao território vizinho. E foi, por conta disso, que as autoridades do Nordeste decidiram realizar operações integradas. A iniciativa para esta estratégica partiu do secretário da Segurança Pública do Ceará, coronel Francisco José Bezerra Rodrigues. Logo, os demais secretários nordestinos apoiaram a ideia e esta foi oficializada nas reuniões ordinárias do Conselho de Segurança do Nordeste. Estratégias No combate aos criminosos, os órgãos de Segurança montaram diversas estratégicas, entre elas, o aumento nas operações ostensivas nas regiões de divisa e o trabalho constante de inteligência. Foi assim que vários bandos interestaduais acabaram sendo descobertos ainda antes de praticarem os assaltos planejados. Além dos ataques com a utilização de armas e explosivos, outros grupos criminosos têm se aproveitado da ausência de vigilância física nas agências. Dezenas de agências bancárias no Ceará, a exemplo do que ocorreu em todos os Estados brasileiros, não contam com vigilantes no período noturno ou nos fins de semana. São prédios que contam apenas com vigilância eletrônica, isto é, alarmes, sensores e câmeras. Este aparato tecnológico, no entanto, vem sendo posto à prova e já mostrou sua fragilidade. Grupos criminosos especializados no arrombamento de caixas eletrônicos conseguem facilmente burlar os dispositivos de segurança e invadem os bancos. São ladrões conhecidos como ´caixeiros´, que, ao invés de armas de fogo, utilizam instrumentos específicos para realizar a abertura de caixas. Os equipamentos eletrônicos são violados com o uso de maçaricos ou mesmo danificados com picaretas, alavancas ou outros mecanismos mais rústicos. Prisão E foi com base no trabalho de inteligência que a equipe da DRF prendeu um bandido de outro estado que teria vindo para o Ceará especificamente para violar caixas. Tratava-se do rondoniense Osiel da Silva Ferreira, capturado em maio último. Vigilante explodiu caixas eletrônicos A explosão dos caixas eletrônicos de uma agência do Bradesco, em Fortaleza, fato ocorrido na noite de 3 de setembro último, levou a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) a desarticular o bando responsável pelo ataque. A surpresa veio quando a equipe de inspetores daquela especializada acabou por descobrir que um dos envolvidos no delito era um vigilante. Apesar de não trabalhar na agência ´alvo´ do ataque, Glayson Torres Silva, 23, foi o responsável, segundo a Polícia, por obter armas e o explosivo utilizados no crime. Capturado dois dias depois do crime, ele acabou apontando seu comparsa, Henrique Yuri Gomes do Amaral, 24. Ao prestar depoimento na DRF, o vigilante contou ter ido diversas vezes na agência do Bradesco, no bairro Parangaba, fazer levantamentos sobre o prédio, a movimentação e o melhor horário para o crime. Posteriormente, a Polícia Civil identificou outros dois integrantes da quadrilha investigada, que seriam Antônio Braz Coelho Neto e ´Gustavo Baixinho´. “Pescaria” Em maio último, noutra investigação, foi capturada uma mulher identificada como Wiliane de Azevedo Vasconcelos, 27, que teria vindo do Rio Grande do Norte para Fortaleza praticar um novo golpe em caixas eletrônicos, conhecido como ´pescaria´, onde os ladrões violam o mecanismo dos caixas 24 horas.
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