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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Mortes por calazar triplicam em Fortaleza

Em dez anos, a maior incidência da doença ocorreu em 2010, com 262 casos, segundo dados da SMS O número de óbitos por leishmaniose visceral, doença conhecida como calazar, mais que triplicou no ano passado, se comparado ao ano anterior. Foram 19 mortes em 2012, contra seis em 2011. Um dado controverso, já que, em relação ao número de confirmação de casos, houve melhora significativa de um ano para outro. Em 2011, 241 pessoas foram infectadas pela doença, enquanto em 2012, esse número caiu para 148. Infectologista aponta a elaboração de políticas públicas para criar condições para a criação correta de cachorros como uma das ações necessárias para se reduzir o número de casos da doença na Capital Foto: José Leomar As informações são do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretária Municipal de Saúde (SMS) de Fortaleza, e revelam ainda que, em dez anos, a maior incidência da doença ocorreu em 2010, com 262 casos registrados na Capital, ocasionando a morte de 11 pessoas. O médico infectologista Anastácio Queiroz, diretor do Hospital São José, explica que os óbitos geralmente ocorrem nos casos mais graves da doença e quando acomete pessoas acima de 60 anos ou crianças pequenas, com menos de seis meses de vida. No entanto, o contraste entre o número elevado de mortes com o número reduzido de confirmações da doença chama atenção e merece uma análise por parte das autoridades para que seja investigado o que ocorreu e estabelecer medidas que visem a redução desse número. "Pode ter sido por atendimento tardio, falha no sistema ou até mesmo descuido da família do paciente", alerta Queiroz. Para saber se houve falha no sistema de saúde, o médico diz que é preciso verificar o perfil das pessoas que morreram e comparar com o dos anos anteriores. "Não acredito que o sistema tenha piorado tanto", destaca. Ele ressalta que Fortaleza aparece como uma das cidades mais endêmicas do Brasil, o que se dá em virtude da urbanização da doença, que antes se concentrava no ambiente rural, mas que, atualmente, se desenvolve facilmente nas grandes cidades. Ações Para o médico, é preciso fazer mais para reduzir a incidência da doença em Fortaleza, como, por exemplo, um programa de captura de animais soltos e elaborar políticas públicas no sentido de criar condições para uma criação correta do cão. "A cada ano, os casos aumentam proporcionalmente em números absolutos e relativos", acrescenta o especialista. Sobre os cães, Queiroz destaca o uso de coleiras repelentes, que impedem os animais de serem contaminados pelo mosquito transmissor, o flebototímeno e, por consequência, de repassar a doença aos humanos. Diagnóstico No Hospital São José, informa Anastácio Queiroz, existem nove pacientes internados vítimas do calazar. Número que o gestor considerado alto, em se tratando de uma doença que muitas vezes é tratada em ambulatório. Para chegar a um diagnóstico, o médico esclarece alguns sintomas que devem ser observados, como febre por mais de duas semanas, volume do abdômen aumentado, anemia ou índice de plaquetas baixas. "Em todas essas situações, já é para se pensar em calazar", ressalta. O diretor do Hospital São José informa, ainda, que 90% dos casos em que se faz necessário a internação, o tratamento dura menos de um mês, com exceção de casos adversos, como o de crianças que já chegam em estado grave ao hospital, paciente com HIV ou que esteja em tratamento quimioterápico. O especialista acrescenta que todos os hospitais da rede estadual de saúde apresentam condições adequadas para tratamento a esses casos, assim como os frotinhas e gonzaguinhas, seguindo as condições estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Internação 9 pessoas encontram-se internadas, no Hospital São José, vítimas de calazar. Para Anastácio Queiroz, diretor da unidade, o número é considerado alto Cães poderão ser tratados com remédios de humanos A quantidade de cães sacrificados por conta do calazar na Capital chegou a 2.464 em 2012, segundo dados do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Mas esse número pode mudar nos próximos anos. No último dia 16, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região autorizou o uso de medicamentos humanos para tratar a leishmaniose em todo o País, proibido desde 2008 pelo Ministério da Agricultura. Para o veterinário Ricardo Henz, eliminar cães infectados nunca foi a melhor forma de evitar a proliferação da doença. "Nos últimos 12 anos, o calazar tem se expandido. Os dados mostram que essa prática de caçar os cães é fracassada", avalia. Conforme ele, o tratamento promove a cura clínica do animal, ou seja, retira os sintomas, mas não elimina totalmente o parasita. Apesar disso, Ricardo destaca que, após o uso da medicação, o cão não representa mais um risco às pessoas. Resistência Segundo Sérgio Franco, coordenador do Programa de Controle do Calazar do CCZ, a eutanásia é adotada devido à possibilidade de o cão, mesmo após o tratamento, continuar a ser um reservatório da doença. De acordo com ele, a comunidade científica também teme que a utilização dos remédios acarrete a adaptação e resistência d o protozoário Leishmania, tornando as drogas ineficazes. Franco acredita que a procura pelos remédios não deve aumentar. Conforme ele, poucos cães terão acesso ao tratamento devido aos custos elevados e à complexidade da terapia. No entanto, o coordenador do CCZ alerta que, com a liberação, podem surgir práticas irresponsáveis de tratamento que acabem prejudicando ainda mais a saúde do cão. Para a advogada Geuza Leitão, presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), a medida representa uma vitória, mas é preciso haver ressalvas. "Se o dono tiver condições financeiras de tratar, ele deve fazer. Mas, infelizmente, o animal que não tem dono e possui calazar em estágio avançado tem que ser sacrificado", afirma. RENATO BEZERRA/VANESSA MADEIRA ESPECIAL PARA CIDADE
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